Estimular as crianças a poupar

Atualizado: 19 de ago. de 2020

O estímulo à poupança como forma de educação financeira



Dentre as várias aplicações financeiras existentes no mercado, a mais popular sem nenhuma dúvida, é a tão prosaica e corriqueira poupança. Juntamente com a criação da Caixa Econômica da Corte, o Imperador D. Pedro II através do Decreto Imperial nº 2723 de 12 de janeiro de 1861, criava também um sistema de depósitos visando receber as pequenas economias das classes menos abastadas com remuneração de juros de 6% ao ano. Claro que existiam várias outras instituições financeiras, mas a única contemplada com a garantia do governo federal era a Caixa Econômica. Como esse decreto cria e regulamenta as atividades exclusivamente dessa entidade, vamos nos ater ao seu conteúdo específico.

Desde essa época até os dias atuais, várias modificações foram introduzidas no sistema de poupança, com o intuito de aprimorar cada vez mais e melhor as necessidades dos depositantes. Assim, um dos serviços que a Caixa presta à população é justamente a possibilidade de constituir um montante econômico/financeiro, destinando parte de suas economias à formação de um fundo monetário que poderá ser utilizado para os mais variados fins.


Entretanto, talvez em virtude da corrosão que a inflação impôs durante vários anos aos valores depositados sempre com taxas muito mais altas que a remuneração do valor poupado, ainda que pese a propaganda institucional apregoando as vantagens de se constituir uma poupança, os valores mais significativos são canalizados para outras formas de investimentos as quais apresentam remuneração muito mais atrativa, tais como as opções apresentadas pelos bancos particulares.




Aqui abro um parêntese para apresentar uma avaliação feita em 1926 por um funcionário do Ministério da Fazenda chamado Paulo Martins, que escreveu em seu livro “CAIXAS ECONÔMICAS DO BRASIL” o seguinte comentário:


As caixas Econômicas, em toda parte, são índices seguros da fortuna e bem estar do povo, e demonstram, ainda, os hábitos de poupança e sobriedade - para abrigo de vicissitudes em dias incertos, que os há de toda a gente. Assim, ha prosperidade desses estabelecimentos significa também a prosperidade do paiz a que pertencem. O “pé-de-meia”, a economia de vintém, de tostão a tostão, de mil réis a mil réis, ou o crescendo dessa escala ascendente de valores da moeda, - tem sido o progresso de muita fortuna, em cada caso particular, como ainda a causa do engrandecimento de muitos povos, em relação à collectividade”.



Desse texto se depreende que o montante arrecadado com essas economias individuais não só beneficiam o poupador como, também beneficiam em nível coletivo, o país que inteligentemente utilizar esse recurso financeiro constituído de pequeninas parcelas para honrar seus compromissos visando o bem estar da população.


E quanto ao valor mensal a ser poupado? Existem muitas dúvidas e até insinuações pejorativas a respeito, mas que, a meu ver, não têm nenhum cabimento. Em minha carreira profissional, tive a oportunidade de gerenciar uma Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo onde era incentivada a poupança sistemática, ou seja, enfatizava-se a guarda de pequenas quantias mensais, algo que não comprometeria de forma nenhuma o orçamento doméstico, ao invés da tentativa de se guardar uma quantia mais alta. Claro que entre os poupadores há os mais abastados, mas não é regra geral. Por essa razão é que se torna mais importante a regularidade dos depósitos e a manutenção crescente da conta do que um depósito cujo maior valor fará falta no decorrer do mês.


Entretanto, essa prática não é muito difundida em nosso país. Infelizmente o apelo ao consumo atinge em grande parte as crianças que, por não terem noção de estabilidade financeira, são levadas a gastar boa parte da mesada nas praças de alimentação dos “shopping´s”, investindo seu dinheiro no caixa das empresas especializadas em fritar batatas. Para reverter esse quadro, seria necessária uma ação dos pais visando o estímulo à poupança, não se preocupando com o valor mensalmente poupado, mas sim, com o incentivo ao hábito de prever o futuro.


 

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